quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

cantoria


"E eu cantava, cantava para não ficar muda", disse aquela mulher de meia idade ao contar uma historia tao superficial, que ninguém prestará muita atenção  história da sua mudança de cidade e de vida,  porem aquela frase tão encantadora em meio a história chata, me caiu de forma diferente, naquela tarde ensolarada e aquela cozinha quente em meio a rispidez da mulher se tornava um pouca mais fria.
Apos a minha breve reflexão sobre aquela mulher chegará a conclusão que ela apesar de meio ranzinza, era sim um poço de doçura e que alguém que não fosse sensível a outras tonalidades de cor do dia nunca falaria feito ela, naquele tom doce, mesmo que ela insistisse no fato que não gostava de muito doce,como se o açúcar adocicasse a vida e todas as coisas. Não era agitada nem muito menos nervosa era apenas meio amarga feito eu de tempos em tempos.
Eu sorri apos toda conclusão, e voltei aquela frase e meu pensamento voo livre feito um passarinho que encontra o caminho de casa,  a pensar sobre as palavras e sobre quando as palavras são ditas em forma de musica, e que eu  fazia sem perceber ... cantava pra não ficar muda, não de voz mas, muda de sentimentos os quais não conseguia expressar  pois estavam feio eu, presos em mim na  gaiola sem saída.
E percebi eu sempre cantava, para por pra fora ou pra dentro alguns sentimentos. Sei que que já cantei para  não calar a dor, e quantas vezes me peguei recitando em um final de agosto ruim, 'quando entra setembro e a boa nova andar no campos', ou em novembro torcendo para um verão ensolarado chegar me peguei cantando às minhas humildes ferias ' caminhando contra o vento sem lenço sem documento no sol de quase dezembro eu vou', ou vezes que chorei junto com  musicas apaixonadas que refletiam minha paixão  ou minha dor, ou meu amor ou minha alegria... Ah como musicas não nos deixam cala-los.
E ao fim daquele misero segundo que voei, alto e longe na minha bela e curta reflexão  sobre as palavras pude me olhar de dentro bem de dentro, e então começa a voltar e a perceber os gritos aflitos da mulher ranzinza do lado de fora, bem longe de mim.
- Gabriella, Gabi GAAABIII...
Acho que já me tinha me acostumado com eles, eram sempre na mesma intonação, gritos de acordar alguém que dormia demais, pareciam preocupados com alguém que não estivesse ali, ihhh sim acho de fato não estava.

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