sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cafuné

Queria um cafuné 
Um peito seguro para deitar
 e me sentir segura 

Para compartilhar toda alegria,
 que floresce em mim.

Para construir toda a energia e 
 acabar em uma bela rima, improvisada ao violão 
e que  no meio do carinho delicado, 
haja um beijo com restinho de barba e muito amor


Por: Eu 

com ou sem - panos

panos que me envolveram quando eu nasci, e são panos tambem os que me certam todos os dias que me ajudam a ficar mais normal,  ou igual, são panos que mudam a ocasião, ou nos deixam pertencer a tal ' tipo', essa sociedade maluca que usa panos. Não entendo como pessoas pensam que panos sao passaporte para muitas coisas, panos são apenas panos, são meros pedaços colocados na carcaça, que não servem pra nada.
Panos me deixam ainda mais presa, eu nem gosto de panos...
e com os sem panos eu vivo a vida quente ou fria, mas a verdade mesmo é, que eu nao gosto de panos, gosto sim é  da falta deles, ainda mais se tiver um cobertor.

Sandalia de Couro

Quando colocamos pela primeira vez no pé a sandália de couro, por mais bela que seja aperta nosso pé, ela vem com moldes de fabrica, e a cada vez que tiramos a sandália e a usamos ela vai ficando cada vez mais macia e confortável no pé, a sandália passa a ter a sua forma de pé ! 
Com o passar do tempo a sandália vai ficando velha e desgastada e o couro e as tiras vão ficando cada vez mais soltas no pé. 
Começa a chegar a hora de comprarmos uma nova sandália. 
Compramos mais ela não e confortável e ai nunca a usamos, porque é um novo começo ela aperta seu pé, e você sabe da demora pra ela se ajustar ao seu pé, então continua usando a sandália velha que cada vez mais  fica frouxa no pé e cada vez mais desgastada... Chega uma hora que a sandália velha sai do seu pé, ela já mudou demais já esta velha demais e você também.
Então nem tem como segura-lá no seu pé. 
Não tenha medo de recomeços, chega uma hora que nos temos que largar a sandália velha e colocar a sandália nova no pé . Então um dia você vai encontrar a sandália perfeita e seu pé já estará mais ou menos adaptado e então ela se encaixara e continuara ... Essa e a hora que vc consegue a sandália certa ! 
Não tenha medo de recomeços, nem de finais, vai chegar a hora que a sandália já não vai caber mais no seu pé ! 


Por: Gabirela -25/08/12

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Amor Amigo- Fernando Pessoa

Quero ser o teu amor amigo. 
Nem demais e nem de menos. 
Nem tão longe e nem tão perto. 
Na medida mais precisa que eu puder. 
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida, 
Da maneira mais discreta que eu souber. 
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar. 
Sem forçar tua vontade. 
Sem falar, quando for hora de calar. 
E sem calar, quando for hora de falar. 
Nem ausente, nem presente por demais. 
Simplesmente, calmamente, ser-te paz. 
É bonito ser amor amigo, mas confesso é tão difícil aprender! 
E por isso eu te suplico paciência. 
Vou encher este teu rosto de lembranças, 
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."


Fernando Pessoa  

cantoria


"E eu cantava, cantava para não ficar muda", disse aquela mulher de meia idade ao contar uma historia tao superficial, que ninguém prestará muita atenção  história da sua mudança de cidade e de vida,  porem aquela frase tão encantadora em meio a história chata, me caiu de forma diferente, naquela tarde ensolarada e aquela cozinha quente em meio a rispidez da mulher se tornava um pouca mais fria.
Apos a minha breve reflexão sobre aquela mulher chegará a conclusão que ela apesar de meio ranzinza, era sim um poço de doçura e que alguém que não fosse sensível a outras tonalidades de cor do dia nunca falaria feito ela, naquele tom doce, mesmo que ela insistisse no fato que não gostava de muito doce,como se o açúcar adocicasse a vida e todas as coisas. Não era agitada nem muito menos nervosa era apenas meio amarga feito eu de tempos em tempos.
Eu sorri apos toda conclusão, e voltei aquela frase e meu pensamento voo livre feito um passarinho que encontra o caminho de casa,  a pensar sobre as palavras e sobre quando as palavras são ditas em forma de musica, e que eu  fazia sem perceber ... cantava pra não ficar muda, não de voz mas, muda de sentimentos os quais não conseguia expressar  pois estavam feio eu, presos em mim na  gaiola sem saída.
E percebi eu sempre cantava, para por pra fora ou pra dentro alguns sentimentos. Sei que que já cantei para  não calar a dor, e quantas vezes me peguei recitando em um final de agosto ruim, 'quando entra setembro e a boa nova andar no campos', ou em novembro torcendo para um verão ensolarado chegar me peguei cantando às minhas humildes ferias ' caminhando contra o vento sem lenço sem documento no sol de quase dezembro eu vou', ou vezes que chorei junto com  musicas apaixonadas que refletiam minha paixão  ou minha dor, ou meu amor ou minha alegria... Ah como musicas não nos deixam cala-los.
E ao fim daquele misero segundo que voei, alto e longe na minha bela e curta reflexão  sobre as palavras pude me olhar de dentro bem de dentro, e então começa a voltar e a perceber os gritos aflitos da mulher ranzinza do lado de fora, bem longe de mim.
- Gabriella, Gabi GAAABIII...
Acho que já me tinha me acostumado com eles, eram sempre na mesma intonação, gritos de acordar alguém que dormia demais, pareciam preocupados com alguém que não estivesse ali, ihhh sim acho de fato não estava.

Bagunça na alma

Sou a parte verde escuro do mar,
 que encontra com o azul do céu no horizonte.

Sou o meio 
Mas não sei ser metade,
Sou inteira  
Certamente...
Mas não sou inteira certa, 
sou incerta,
sou torta,
Sou uma falação na calma,
Sou uma bagunça na minha própria alma 
Sou uma dúvida.

Arvorecendo


Foto por: Gabriella Lemos

Uma luz no fim do banho: Gabriela


Gabriela tinha um grande amor. Daqueles com endereço, CPF, e telefone fora de área às sextas à noite. Um amor que sabia encantá-la com seus beijos e sorrisos, mas que também a machucava com sua indiferença e insensibilidade. Logo ela, tão artista, tão sensível, apaixonada pela vida e cheia de amor pra dar. Gabriela tinha um amor sofrido, e com data marcada para ir para os Estados Unidos e só voltar dali a um ano. 
Um ano? Se com ele aqui ela já sofria a sua ausência, ela ia sofrer ainda mais de longe. O que pode acontecer em um ano?
Gabriela sofreu muito a sua falta. Sentiu falta de sair de casa imaginando esbarrar com ele na rua, mesmo morando em uma cidade com mais de três milhões de habitantes. E sentiu falta das conversas de Domingo à noite ao telefone, quando o número dele funcionava para ela. Sentiu falta de, simplesmente, saber que ele estava por perto, mesmo estando tão distante dela em questão de sentimentos.
Numa manhã de segunda-feira, depois de passar a noite de Domingo chorando e o final de semana inteiro se sentindo sozinha, Gabriela acordou diferente. Com os olhinhos ainda inchados, ela percebeu que sempre esteve sozinha, mesmo com tantas pessoas o tempo inteiro ao seu redor. Mas ao invés de ficar com raiva do mundo e mau dizer os seus sentimentos, Gabriela resolveu pegar todo aquele amor, toda aquela paixão, toda aquela vontade frustrada de ser feliz e distribuir para a vida, para o mundo. Gabriela passou a reparar nas flores que brotavam com a primavera, e decidiu experimentar de novo mel, que sempre fez a sua garganta coçar. Gabriela passou a amar o cheiro de desinfetante de quando o banheiro da faculdade acabava de ser limpo, e sentia prazer em escolher um novo shampoo a cada ida mensal ao supermercado. Passou a apreciar ainda mais o pão de queijo quentinho que saía todas as tardes na lanchonete, e até ganhou um quilo e poucos (vai ver ficou inchada era de tanto amor). Passou a amar a todos, até "a poeira que entra no nariz por causa do clima seco". E quando Gabriela passou a amar a tudo, e a todos, ela passou também a amar a ela mesma. Mesmo assim, Gabriela não era hipócrita e sabia que mesmo se amando muito, ela ainda precisaria de alguém pra dedicar todo aquele amor em especial. Alguém que desse sentido. E ela sabia que aquele amor que foi para o exterior, não poderia ser. Mas ela tinha certeza que ela ia achar um amor. Um amor com endereço, CPF, e telefone sempre disponível pra ela. Um amor que tocasse violão, e que entendesse a sua sensibilidade, e que de preferência gostasse de Pink Floyd e tivesse barba.
Um ano passou, o ex amor voltou, e a achou linda, e a distribuia mil sorrisos. E que sorrisos! Mas ela só admirava, e guardava no coração somente os sorrisos, não aquele amor. 
O tempo ia passando e Gabriela conhecia vários caras que tocavam violão, outros que tinham barba e outros que curtiam Pink Floyd. Todos trouxeram encanto, mas nenhum trouxe amor. Tudo bem. Gabriela sabia que todo o seu amor distribuido voltaria um dia para ela, talvez sem violão ou barba, mas de preferência acompanhado de taças de vinho e beijos na testa. 


Um presente de uma amiga linda...
Por: Isabel Chaves do blog que vale a pena ler - umaluznofimdobanho.blogspot.com.br